sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um pouco de como tudo começou.


O ORA-PRO-NOBIS (Ropropró) ganhou espaço na culinária Mineira, através das famílias negras, que buscaram várias alternativas alimentares, em função de sua situação econômica causada pela exclusão racial e social. Entre estas famílias destaca-se a aqui a família de Ronaldo Pio, que com sabedoria torna-se herdeira e que populariza a cultura do ora-pro-nobis, fazendo-o tornar elemento fundamental nos vários encontros culturais e sociais da região do Morro das Pedras.

Em BH, esta cultura dos encontros ao sabor do ora-pro-nobis, envolvia várias pessoas no Morro das Pedras e reuniões a beira de um fogão a lenha, permitia o encontro de grupos de congadeiros , lideranças da comunidade, promissores artistas, apreciadoresdo ora-pro-nobis entre outros. 

Pio aprendeu a cultura do Orapronobis com sua mãe Nair Pio e os avós (Maria Barbara e Carlota) de Pio moradores de Ponte Nova Tias e Tios, pertencentes das comunidades das vilas São Jorge e do Pau-Comeu colhiam ali mesmo a saborosa planta e a juntavam ao incremento que normalmente era a carne de porco, lingüiça, entre outros e assim proporcionavam  no encontro a troca de experiências e dos saberes populares. TIA Minervina, anfitriã destra comunidade, reunia-se com a Comunidade e foi a prioneira na tradição do Ora-pro-nobis ao pé do fogão, como elemento das grandes rodas de conversas e encontros.

Há mais ou menos 5 anos o Ora-pro-nobis começou a ser industrializando e com isso começou a ganhar espaço em várias pesquisas científicas no Brasil e fora dele. Segundo o pesquisador Nikolas Argyrios Mitsiotis, também escritor de livros, técnico em Apicultura e pesquisador independente “ Dentre as espécies de melissotróficas da flora nativa, segundo minhas pesquisas, destacou-se a ora-pro-nobis (Peréskia aculeata Miller), como planta de alto valor econômico e ecológico, por ser nectarífera, polinífera, por ser cactâcea, comestível e também por possuir elevado percentual de proteína digestível pelo organismo humano e do de diversas espécies de animais, conforme demostrado pelo professor José Cambraia da Universidade de Viçosa/MG.” Percebe-se neste comentário, que o pesquisador fala do aspecto econômico da planta, do seu valor protéico e reafirma aqui a sabedoria popular que já dizia que uma simples planta encontrada nas cercas da cidade de Belo Horizonte, serviu para matar a fome de muitas famílias e se consagrou como uma tradição cultural em nossa cidade e em demais cidades de Minas Gerais onde são realizados vários festivais e encontros para saborear o Ora-pro-nobis como é o caso de Sabará.

Nenhum comentário:

Postar um comentário